Resistências Des/enterradas: História(s) das Mulheres nas Lutas Anti-autoritárias

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Resistências Des/enterradas: História(s) das Mulheres nas Lutas Anti-autoritárias

Sábado 3, Março H21:30

Conversa/debate de apresentação e reflexão sobre a exposição “Resistências des/enterradas: Exposição sobre a(s) História(s) das mulheres nas lutas anti-autoritárias” e sobre o processo de elaboração da mesma. Como é que podemos desenvolver um projecto historiográfico sobre mulheres sem reforçar a presunção da existência de um sujeito unitário, estável e universal? Que relações de dominação e de exclusão emergem quando se pretende resituar as mulheres na História? Que história(s) desenterrar neste rectângulo geográfico? Como é que podemos fugir à reprodução de leituras hegemónicas, à colonização epistémica das resistências, à apropriação de outras vidas? Como é que podemos gerir e suplantar o carácter eurocêntrico do anarco-feminismo? Estas e outras interrogações fazem parte do nosso caminho. Para estas e muitas outras não haverá respostas peremptórias, exactas e singulares. É justamente aqui que se situam as nossas inquietudes políticas, mas é também aqui que cultivamos as potências da acção anarquista e um devenir histórico livre das estruturas de dominação.

Mais…
O anarco-feminismo existe hoje na Ásia, na América do Sul, em África, na América Central, nas Caraíbas e em outras partes do globo, mas tem constituído historicamente uma filosofia ocidental. Enquanto corrente anarquista que contempla a luta contra o cisheteropatriarcado no combate à hierarquia e à autoridade, o anarco-feminismo tende a ser associado na sua génese a Emma Goldman e a Voltairine de Cleyre que, a partir dos finais do séc. XIX, começaram a problematizar especificamente a opressão das mulheres em diferentes áreas (e.g., trabalho doméstico, maternidade, casamento, sexualidade). Apesar dos seus inúmeros contributos para a transformação social, concentraram a sua atenção sobretudo nas lutas das mulheres na Europa e na América do Norte. Desde o final da década de 1960, o anarco-feminismo tem procurado solidarizar-se com as lutas organizadas em outras geografias (e.g., Mujeres Creando) mas ainda há um longo caminho a percorrer. As mulheres não experienciam a opressão da mesma maneira, essa depende do cruzamento de diferentes eixos (e.g., género, classe, ‘raça’, etnia, sexualidade e proveniência geográfica). E faz parte da acção política contemplar esta diversidade e questionar a(s) universalidade(s).
No âmbito deste projecto embrionário, procurámos incluir mulheres que estão historicamente ligadas ao movimento anarco-feminista, de diferentes geografias e de múltiplos lugares de enunciação, bem como mulheres que constroem resistências anti-autoritárias mas que não reclamam o rótulo de “anarquista” para si e para a sua acção política. Do Japão à Argentina, do Brasil à França, da Nigéria ao Estado Espanhol, as mulheres desafiaram as normas de género e tomaram as casas, as fábricas, as ruas, as barricadas. Desde que as lutas sejam anarco-feministas ou anti-autoritárias, manifestamos solidariedade e visibilizamos as suas histórias, perspectivas e memórias, num esforço contínuo para estarmos conscientes dos nossos lugares, limitações e impossibilidades.

 

Detalhes

Data:
Sábado 3, Março
Hora:
21:30
Categorias de Evento:
, ,
Site:
https://www.facebook.com/events/2054066238150591/

Organizador

Colectivo Rata Dentada
Site:
https://www.facebook.com/ratadentata/

Local

Gazua
Rua João das Regras, 151
Porto, Portugal
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Site:
https://www.facebook.com/GAZUAaccaocomunitaria/