Uma tertúlia interativa a fim de discutir o lugar da mulher negra no imaginário social português, os lugares sociais a elas destinados, a violência, o racismo e suas formas traumáticas de expressão. Discorrer sobre a importância do autocuidado, da saúde e bem estar psicológico como estratégia de autoproteção. Para enriquecer nossa discussão algumas autoras feministas negras serão abordadas tais como Neusa Souza, Isildinha Nogueira, Virginia Bicudo, Sueli Carneiro, Djamila Ribeiro, Bell Hooks dentre outras.

Shenia Karlsson é uma Psicóloga Clínica e Social, com uma vasta experiência no atendimento a população negra, mulheres em situação violência doméstica e fragilidade social,jovens, casais e famílias negras. A partir da sua vivência enquanto mulher e negra percebeu que ainda temos pouca representatividade em determinados lugares sociais, somos poucas ocupando determinados cargos e ainda somos associadas ao lado negativo das relações, como corpos desprovidos de afeto. Em seu exercício da Psicologia Social ao longo dos anos, constatou a carência de uma intervenção Psicoterapêutica que atendesse demandas específicas das mulheres negras. Desenvolveu um trabalho baseado em representatividade como psicóloga e negra, sentiu que contribuía de forma significativa utilizando uma escuta apurada sobre experiências que só atravessam a mulher negra, podendo assim desenvolver formas de enfrentamentos construídas especialmente a esse público em específico. Refletiu sobre a necessidade de se pensar uma Psicologia crítica e de uma prática que busca acima de tudo compreender os processos de construção de negros na sociedade e das perturbações oriundas de lógicas opressoras. Pensa o espaço terapêutico também como um lugar de micropolítica.
Junto com a Claudina Damasceno Ozório criou o Papo Preta- Saúde e Bem Estar da mulher em 2016. O projeto recebeu dois prêmios em seu segundo ano de atuação. Sendo assim desenvolveu uma metodologia de intervenção baseada em práticas psicológicas, ancestralidade, processos históricos da população da diáspora africana e cultura negra. Resgatou produções de autores negros antes invisibilizados pelos campos da Psicologia tradicional.
A aderência ao trabalho obteve resultados surpreendentes provando que a identidade racial, a representatividade e principalmente estudos profundos sobre a temática do racismo são fundamentais na construção do bem estar e da saúde mental da população negra em geral.
Hoje o projeto Papo Preta, além de atuar no Brasil, tendo sua sede no Rio de Janeiro, atua também em Lisboa, Portugal. O trabalho foi muito bem recebido pela população negra de diáspora provando que as problemáticas dos negros ao redor do mundo são semelhantes.
Shenia Karlsson foi convidada e atua como Diretora do Departamento de Sororidade e Entreajuda no INMUNE- Instituto da Mulher Negra em Portugal e constantemente é solicitada para discorrer sobre a problemática da Saúde Mental da População Negra pelos mais diversos meios de comunicação.

Exibição de filmes com Porto Femme

Tia Ciata
(Brasil | 26’ |2017), de Mariana Campos e Raquel Beatriz
Sinopse: Tia Ciata é um documentário que aborda o protagonismo feminino negro sob a ótica da personagem popular Tia Ciata, uma mulher de suma importância para a história e cultura brasileira, referência na construção da identidade nacional. O filme traz depoimentos de mulheres negras que são referências na luta contra o racismo e pela visibilidade do protagonismo feminino negro em diferentes áreas de atação. São elas: a escritora Conceição
Evaristo, a filósofa e escritora Helena Theodoro, a historiadora Giovana Xavier, a pesquisadora de cinema negro brasileiro Janaina Oliveira, a atriz Angela Peres, as cantoras Marina Íris e Nina Rosa, a bisneta de Tia Ciata Gracy Mary e Ialorixá Mãe Beata de Iemanjá, que faleceu recentemente deixando um legado de luta pela igualdade de direitos para o povo negro e
sempre será referência de força ancestral e resistência, inspirando gerações.

Rupa’s Boutique | A BOUTIQUE DE RUPA
Hungary/Hungria | 53’ |2017
Realizadora/Director: Glória Halász
Produtora/Producer: Gábor Osváth, Praaful Chaudhary

Sinopse
Em A Boutique de Rupa há sonhos pendurados nos cabides. Sonhos que significam esperança para as vítimas de ataques com ácido até nos piores dos momentos. Todas as raparigas, Rupa, Soniya, Gita, Neetu, Dolly e Laxmi estão novamente de pé depois das próprias tragédias. Todas encontraram forma de regressar à sociedade, de se tornarem independentes e visíveis.
Rupa, vivendo na cidade de Agra na Índia, quer ser estilista desde a infância. A jovem gostaria de abrir a sua própria boutique para se poder tornar financeiramente independente. Na boutique gostaria de empregar as suas companheiras vítimas de ataques com ácido. No filme vamos conhecer Rupa e as histórias de vida e sonhos das suas companheiras vítimas, enquanto se preparam para um monumental desfile de moda, onde as roupas desenhadas por Rupa são desfiladas pelas sobreviventes.
De acordo com os ativistas de Stop Acid Attacks que ajudam as vítimas, na Índia há 3 a 5 ataques por semana. Muitas vítimas não denunciam os crimes à polícia pelo medo de serem
socialmente estigmatizados. A campanha ajuda vítimas a encontrar forma de regressar à sociedade, estabelece um centro de crise que fornece um ambiente seguro às vítimas, onde podem receber ajuda médica e podem passar o seu tempo de forma conveniente e útil. O centro também as apoia no desenvolvimento das suas ambições, sejam elas aspirações
ativistas ou trabalhar no seu café.

i-) Condições de acessibilidade:
Em termos de acessibilidade, convém referir que a estação de metro do Campo 24 de Agosto é a mais próxima do CSA A Gralha. Da saída do metro até ao local, a distância é de aprox. 850 metros. Existem ainda autocarros com paragem na Rua de Santos Pousada (8M, 300, 305, 401).
O espaço é de acessibilidade limitada. Tem escadas de acesso à cave. A casa de banho ainda não está preparada para pessoas com diversidade funcional: a sua largura é convencional, não dispõe de barra lateral de apoio, a largura da porta não é suficiente para permitir a manobrabilidade de cadeiras de rodas, por exemplo.
Em todas as actividades, disponibilizaremos um conjunto de pessoas para auxiliar em necessidades de mobilidade. Em caso de dúvidas ou para a exposição de questões/pedidos, escrevam-nos para o seguinte email: agralha@riseup.net.

ii-) Política de espaço seguro:
Não serão tolerados atitudes, comportamentos e linguagens que veiculem machismo, racismo, xenofobia, LGBTfobia, capacitismo, ageísmo, especismo e/ou qualquer outra forma de dominação.

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