Como núcleo de estudos da Universidade de Aveiro, propomo-nos a levar a cabo uma tertúlia em torno de diversos textos seminais sobre género e performance recentemente traduzidos para português e publicados sob o título Género e Performance: Textos Essenciais I. Consideramos essencial e fundamental a disseminação, em livre acesso, destes textos e autores fundamentais na área de estudos de Género e Performance. Com este projeto, pretendemos fomentar e tornar acessível, através do livre acesso digital e de forma gratuita, à comunidade académica, científica e ao público em geral um conjunto de textos selecionados que entendemos serem instrumentos de reflexão e análise fulcrais que constituem subsídios críticos e científicos para a compreensão de diferentes perspetivas relativamente a conceitos complexos e de grande plasticidade como o género e a performance. Por conseguinte, é através desta tradução que desejamos continuar a inspirar, em português, novos investigadores e a comunidade científica de/em língua portuguesa. A publicação inclui textos de grande relevância científica e conta com textos da autoria e autorizados por Judith Butler, Donna Haraway, bell hooks, María Lugones, Rosi Braidotti, Luce Irigaray, Christine Delphy e Gayatri Spivak, entre outros.

Amor e sexo são regulados de modo a nos adaptarmos ao esquema de normalidade / anormalidade construído a partir da hegemonia ideológica. O capitalismo e o patriarcado não são apenas estruturas sociopolíticas e econômicas. Eles também estão incorporados em nossos corpos, em nosso desejo, em nossas estruturas emocionais, e determinam nosso comportamento, desejo, sentimentos, aspirações.

Sob o conceito de normal está a monogamia e a heterossexualidade, que são apenas mitos. Na margem existem outras formas de amar e de lidar com o sexo e o erotismo. Assim, seguimos desejando em segredo, pulando cercas, lutando contra os gigantes da moralidade e quebrando regras impostas todos os dias.

Complicamos nossas vidas de uma forma incrível por amor. E se isso acontece é porque não nos adaptamos ao modelo heterossexual dual que nos vendem.

Vivemos em uma cultura que nos ensina uma espécie de amor romântico que guarda relação com a tragédia, com frases do tipo:” Não posso viver sem você “, “Sem você não sou ninguém”, “O amor pode tudo, tudo suporta, tudo tolera”, “Morro de amor por você”. Fomos programados com um chip que nos diz que o amor tem que doer, tem que ser dramático ou trágico como Romeu e Julieta.

Não esperamos ter relacionamentos saudáveis e isso afeta especialmente as mulheres já que culturalmente ainda somos instruídas a depositar todas as nossas expectativas no amor romântico, no casamento e na vida doméstica, nos tornando vulneráveis aos abusos psicológicos, à violência doméstica e ao feminicídio.

Levar em conta que a realidade é construída a partir desses esquemas hegemônicos nos ajuda a desmontá-la e a começar a trabalhar na visibilidade e construção de outras realidades possíveis.

A intervenção “Atadas” propõe reproduzir os padrões nocivos do amor romântico de forma lúdica por meio da utilização dos “Cadeados do Amor”, cadeados entrelaçados em pares nos quais namorados escrevem seus nomes e os fixam “para a eternidade” em lugares turísticos, geralmente pontes, cercas e portões simbolizando o seu amor. Desde a década de 2000, os cadeados têm proliferado em um número crescente em varios locais por todo o mundo, tornando-se um problema para a administração de algumas cidades como Paris e Firenze.

Sobre as proponentes:

Fiamma Viola (Jo Adriana) é artista visual, iniciou seu percurso artístico em São Paulo/Brasil e, desde 2016, intercala períodos de produção e exposição no Brasil (baseada em Brasília) e na Itália (baseada em Bologna).

Através de um trabalho multidisciplinar, articula idéias sobre cultura, construção de identidade, arquétipos, sexualidade e feminismo em uma atmosfera onírica que firma-se como uma linguagem própria. Uma construção que não se limita à representação da figura feminina, mas inclui formas e conceitos mais amplos, bem como diferentes técnicas como pintura, ilustração, colagem, fotografia e performance.

Seu processo criativo está centrado no corpo feminino como território de construção de uma narrativa visual que busca a liberação da carga negativa usualmente vinculada e propõe uma visão poética livre.

Usando a sexualidade feminina como elemento fundamental de identidade, aponta metáforas ressonantes no corpo da mulher, como o sangue, criando diálogos a partir de arquétipos, sonhos e narrativas eróticas que são um convite a uma visão política para um mundo diverso e com várias posibilidades de existência.

Links:
Instagram @fiamaviola
https://artluv.net/artista/fiamma-viola/
https://www.brenda-mag.com/blog/


Flávia Amorim é brasileira e reside na cidade de São Paulo, atua como moderadora e articuladora de encontros para discussões sobre relacionamentos não-monogamicos e empoderamento feminino. Atualmente modera um grupo com quase 5 mil pessoas no Facebook e desde 2013 articulou mais de 30 encontros presenciais e virtuais para discussão sobre novos arranjos de relacionamento, os prejuízos da cultura monogâmica e também estimula a vivência afetiva e sexual responsável e segura entre seus membros.

Publicou recentemente artigo sobre “Monogamia e novos arranjos” de relacionamento na comunidade feminista COMUM.VC (anexo/conteúdo exclusivo), teve um dos seus eventos retratado no livro ” Sociedade Secreta do Sexo” do autor “Marcos Nogueira” (link) , participou do festival Poporn (2014) tratando sobre relacionamentos não monogâmicos no debate “Famílias, modelos, estruturas e rupturas” e foi entrevistada pelo programa Pornolândia do canal TV Brasil sobre relacionamentos abertos e não monogamia.

Flavia também organiza uma festa anual chamada Festa do’u Amor focada em consentimento e empoderamento sexual feminino por meio do estímulo a cultura Sex Positive. Já realizou 4 edições e mantem uma comunidade virtual com cerca de mil membros.

Links:

Livro Sociedade Secreta do Sexo https://pt.scribd.com/document/355079310/Sociedade-Secreta-Do-Sexo-Marcos-Nogueira

Depoimento sobre Popporn https://naomepoupe.com/2014/06/24/popporn-muito-alem-da-putaria/

TV Brasil (Pornolandia) https://globosatplay.globo.com/canal-brasil/v/3738572/

Comunidade Feminista Comum.vc – http://www.comum.vc/autonomiaafetiva/ (artigo em anexo)

Artigo sobre a Festa do’u Amor – https://www.tipsypilgrim.com/pt/blog/hackeando-a-putaria-feministas-revolucionam-festas-de-amor-em-sao-paulo.html

23ª Roda de Discussão – Feminismo e Amor Livre https://www.youtube.com/watch?v=Kc6kQ0wnG7g

Habelencia Húmida Histeria Horizonte. Compostela. Catro mulleres. Halo, Harmonía Humana. Herdanza, Historia viva. Hiperactiva! H do silenzo, muda a muller que soa. Homenaxe. Hematomas. Camiños onde non medra a Herba. Hábitat de Hormonas Hilarantes. Hidrosfera musical. Hoxe. Hipnose sonora con…

HABELAS HAINAS, logo dunha intensa traxectoria como músicas ao vivo, Arantza Alfaia, Patricia Gamallo, Jara Ortiz e Sandra Tamayo presentan “LIVRES E LOUCAS”, primeiro traballo discográfico deste grupo de músicas de raíz galega cun son enérxico, fresco e orixinal dende olladas feministas e sociais.

Habelas Hainas

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